Como o conhecimento de Deus afeta as nossas escolhas?

Conta-se a história bastante conhecida do sapateiro que perguntou certa vez a Martinho Lutero: “Como eu posso servir a Deus?” A resposta de Lutero foi: “Faça um bom sapato e venda-o pelo preço justo.”

Apesar de ser uma ilustração antiga, quando nos deparamos com a resposta simples e inesperada que Lutero dirige ao sapateiro, ainda somos tomadas por um grande espanto. Por que exatamente isso acontece?

É indiscutível o fato de que todas as escolhas que fazemos, das simples às mais complexas, devem glorificar a Deus. Mas como isso pode se tornar palpável quando nos deparamos com situações subjetivas? Ou, ainda, com questões que não são claramente tratadas nas Escrituras? Ficamos sem respostas? Como agir de modo agradável a Deus em todas as minhas escolhas que não parecem ter relação com Ele?

A verdade, minha querida irmã, é que o conhecimento de Deus e a cosmovisão bíblica correta afetam, absolutamente, todas as nossas ações, preferências e decisões, ainda que não percebamos. E quais são as possíveis causas de não sabermos agradar a Deus em nossas escolhas e como podemos fazer isso? É o que tentaremos solucionar a seguir.

A espiritualização excessiva de processos naturais da vida e o desconhecimento do Deus a quem servimos

Todas nós já “espiritualizamos” coisas que não são necessariamente espirituais ou “espiritualizamos” demais algumas funções em detrimento de outras. Vou tentar explicar: Consideramos alguns cargos em nossas igrejas locais como superiores. Em nossa visão rasa, entendemos, por exemplo, que a obra missionária é o suprassumo do viver radicalmente para Deus, enquanto, eu, uma mera cristã comum, tenho menos valor diante da obra de Deus. Assim, por vezes, tomamos decisões pautadas no que consideramos “mais espiritual”, ainda que essa não seja a nossa praia.

Diante de decisões simples, tendemos a optar por um caminho mais radical, menos inquieto, que demonstre maior propósito. E é nisso que erramos! Precisamos, inicialmente, reconhecer o senhorio de Cristo sobre as nossas vidas, entender para o que fomos chamadas e conhecer profundamente as Escrituras, para assim sabermos agradar a Deus em tudo o que fizermos.

Os processos naturais da vida como: Escolher um emprego, definir meu ministério, encontrar um bom namorado, saber que profissão seguir e tantas outras decisões são mais facilmente escolhidas quando conhecemos o Deus a quem servimos. A nossa espiritualidade não deve estar categorizada em caixinhas; a nossa visão adequada de mundo deve nortear todas as nossas escolhas. 

Assim, quando nos depararmos com questões simples, teremos uma consciência cativa à Palavra e, ainda que situações pareçam muito distantes da atenção de Deus, saberemos como agradá-Lo e obedecê-Lo tomando as melhores decisões com humildade e temor para a glória de Deus.

“Oh, eu espero que um anjo do céu me traga respostas!”

Quantas de nós, literalmente, esperamos respostas para nossas dúvidas por meio de revelações, sinais miraculosos ou mesmo aguardamos um anjo cair de paraquedas no nosso quarto? Confesso, apesar de não me orgulhar, que eu também já aguardei por isto.

A imaturidade espiritual, o desconhecimento da Palavra ou a ingenuidade nos faz esperar por soluções mais rápidas, fáceis e claras. Mas nem sempre as respostas às nossas dúvidas e inquietações virão impressas em um grande letreiro que pisca saltitando aos nossos olhos. É por esse motivo que a nossa mente e coração precisam estar alinhados e inundados pelas Escrituras, para que possamos viver de maneira digna do Evangelho em nossas tomadas de decisões.  

Em nossas rotinas simples, na nossa vida comum, sem grandes holofotes, necessitamos do conhecimento de Deus para responder adequadamente a todos os desafios que vierem às nossas mãos e, com isso, glorificar ao Senhor em situações aparentemente insignificantes. É assim que agradamos a Deus! Nem sempre vivenciaremos feitos miraculosos, e precisaremos tomar grandes atitudes que nos farão delirar com indecisões. A vida de Deus se revela em nós quando, em nossa simplicidade, fazemos escolhas sábias e pautadas no que é correto e bom de acordo com as Escrituras.

“Essa culpa eu não carrego!”

E se as decisões que eu tomar derem errado? E se as coisas não saírem conforme o meu planejamento? Quem carregará a culpa? A quem poderei responsabilizar?

Muitas vezes não estamos, honestamente, querendo entender a vontade de Deus sobre as situações que acontecem em nossas vidas. Às vezes, só queremos um bode expiatório a quem culpar caso não dê certo – mesmo que seja o próprio Deus.

Precisamos de humildade e sabedoria para aprender a entender a vontade de Deus, tomar as nossas decisões e aprender a lidar com as consequências caso as coisas não saiam conforme o esperado. E deixa eu te contar um segredo: Deus ainda é Soberano sobre isso. Deus é soberano pelo o que, ao seu ver, não deu certo! Suas escolhas dizem respeito a quem você crê, mas os resultados, mesmo com as atitudes mais sábias da sua parte, são totalmente ordenados por Deus.

Por isso, diante do medo ou da dificuldade em tomar decisões, busque no Senhor as melhores respostas, e creia que Ele é poderoso e soberano sobre tudo o que virá na sua vida.

Conclusão

Todas as respostas às minhas escolhas estão em uma pessoa: Jesus.

Entender a vontade de Deus por meio da Palavra torna as coisas mais claras e práticas. E, deste modo, este conhecimento afetará todas as nossas escolhas, assim, agradaremos ao Senhor em tudo. Que peçamos sabedoria a quem é a própria sabedoria personificada: Jesus. Ele é a fonte de todo conhecimento e orientação. Que Ele nos ajude!

Por Ana Carla Gomes

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