
Enquanto Roy e Stacy ouviam seu pastor ensinar sobre 1 Coríntios 7, eles começaram a se mexer desconfortavelmente em seus assentos. “Paulo está dizendo aqui que uma esposa deve satisfazer as necessidades sexuais de seu marido. Se ela não o fizer, ele pode ficar tentado a procurar sexo fora do relacionamento deles.” O pastor tentou diminuir a tensão na sala com uma piada imprudente. “Homens, talvez vocês sejam como eu e esta seja sua passagem favorita da Bíblia. Certa vez, disse a minha esposa que adoraria que ela me desse uma placa para o nosso aniversário com este versículo: A esposa não tem autoridade sobre seu próprio corpo, mas o entrega ao marido”. Enquanto a congregação ria nervosamente, Stacy desejou uma maneira de escapar discretamente do templo.
Stacy temia que o sermão de hoje reforçasse a crença de Roy de que ela lhe devia seu corpo. Como ela poderia explicar ao marido como se sentia usada e coagida nas raras vezes em que dizia sim ao sexo? Deus era realmente o co-conspirador com Roy, exigindo que ela desse seu corpo mesmo através dos gatilhos do trauma e da dor física do ato?
E então há Roy… um bom homem que nunca iria querer machucar sua esposa, mas se sente desesperado depois de 17 anos de casamento com uma mulher que odeia sexo. Ele sempre se pergunta: “Deus, o que eu fiz para merecer isso? Você me deu um forte desejo sexual e quero canalizá-lo para minha linda esposa, mas poderia muito bem nem ser casado! Toda vez que eu menciono sexo, Stacy desliga.”
Para muitos casais como Roy e Stacy, as piadas sobre frequência sexual e a importância do sexo não são engraçadas. Elas tocam em um assunto que quebrou os alicerces de seu casamento. Em vez de uma celebração do amor, o sexo passou a representar profundas experiências de vergonha, rejeição e solidão.
No Authentic Intimacy, frequentemente ouvimos os dois lados desse dilema: o marido que é torturado pela contínua rejeição sexual no casamento e a esposa que se sente obrigada a se submeter à dor, às vezes traumatizando-se novamente, para satisfazer os desejos sexuais do marido. Se você está em qualquer uma dessas situações, sinto muito pelas maneiras que o sexo em seu casamento tem sido uma fonte de dor tão profunda!
Por que um bom Deus daria a casais como Roy e Stacy um presente que se tornou uma maldição? O que tinha o objetivo de unir, tornou-se sua maior fonte de divisão. O que eles devem fazer diante de uma passagem como 1 Coríntios 7:1-5 que parece reforçar o padrão destrutivo de início, rejeição, obrigação e ressentimento?
O princípio mais importante para entender a Bíblia é ler cada passagem dentro do contexto do restante das Escrituras. Infelizmente, esses cinco versículos de 1 Coríntios 7 foram entendidos e aplicados, muitas vezes, de maneira que envenenam o relacionamento sexual do casal, levando até mesmo ao divórcio. Quero compartilhar com você três mensagens maiores da Palavra de Deus que podem ajudá-los a redefinir sua perspectiva e renovar seu desejo de construir uma verdadeira intimidade sexual em seu casamento.
Lembrando o propósito
Deus deu a você e a seu cônjuge a intimidade sexual como um presente. Sim, eu entendo que não parece muito com um presente. Embora isso seja certamente devido aos efeitos de viver em um mundo destruído e caído, também deixamos de aproveitar a dádiva do sexo porque não entendemos a plenitude de seu propósito.
O sexo tem a intenção de ser apaixonado e prazeroso, mas esse é apenas um aspecto do presente (e sem dúvida não é o mais importante). A intimidade sexual em seu casamento é uma maneira de lembrar e celebrar seu pacto de aliança no casamento.
O sexo é sobre amor. Não primariamente amor romântico ou erótico – ele é a expressão de sua aliança de amor. Um pacto (que é o que você formou no casamento) é uma promessa de amar de uma forma que transcende seus sentimentos, circunstâncias e desejos. É a promessa, ecoando as palavras de Jesus: “Nunca te deixarei, nem te desampararei”.
Semelhantemente, o ato sexual em várias épocas do casamento (e para alguns, ao longo do casamento) te convida a ir além de seus instintos naturais de amor. Vocês amarão um ao outro profundamente, mesmo quando isso lhes custar muito?
“Um novo mandamento vos dou: amai-vos uns aos outros. Assim como eu vos amei, vocês também devem amar uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (João 13:34). Sua vida amorosa é muito mais importante do que sua vida sexual. Mesmo em um mundo destruído e caído, o desígnio de Deus para sua vida sexual é que ambos incorporem o amor altruísta um pelo outro. O maior chamado de todo cristão é viver uma vida de amor.
Esta verdade não deve ser suspensa a partir da soleira do seu quarto. A esposa que odeia sexo é chamada a amar seu marido sexualmente. Da mesma forma, o marido deve amar sua esposa sem egoísmo em todas as áreas do casamento, incluindo a vida sexual. Mas como é esse amor na prática quando seus desejos são tão incompatíveis?
Quando marido e mulher entram em um padrão de negar ou exigir sexo um do outro, eles estão na verdade sabotando a intimidade sexual em prol da atividade sexual.
Reenquadrando a passagem
Ao lermos 1 Coríntios 7:1-5, devemos entendê-lo tendo como pano de fundo esta mensagem maior de amor. Compreender a diferença entre atividade sexual e intimidade sexual é crucial em nossa aplicação do ensino bíblico sobre casamento e sexo. A intimidade sexual, não apenas a atividade sexual, é muito importante no casamento. Ela tem o poder de unir ou dividir um casal.
Com a atividade sexual, todo o foco está no que nossos corpos estão fazendo. Com que frequência devemos fazer sexo? Estou atraído pelo meu cônjuge? Com intimidade sexual, um casal trabalha para compartilhar sua jornada sexual um com o outro. Isso significa comunicar e se importar com a experiência do sexo e tudo o que ele representa.
Quando um marido e uma esposa, como Roy e Stacy, entram em um padrão de reter ou exigir sexo um do outro, eles estão, na verdade, sabotando a intimidade sexual em prol da atividade sexual.
O que você deve ao seu cônjuge não é o ato sexual, mas a promessa de ministrar um ao outro sexualmente.
Para uma esposa como Stacy, isso não significa dar seu corpo vez após outra por dever. Mais provavelmente significa um compromisso de trabalhar em direção à cura. Ela aprende a valorizar o poder do sexo em seu casamento e se recusa a permitir que o inimigo continue acampando em suas feridas, mágoas e ressentimentos. Ela toma medidas como buscar aconselhamento, passar por um estudo como Passion Pursuit e orar por cura sexual. Ela está aberta a explorar maneiras de ser sexual com seu marido (talvez além da relação sexual) que pareçam seguras e convidativas.
Para um marido como Roy, ministrar à esposa sexualmente significa ouvir e se esforçar para entender como o sexo passou a representar dor e confusão para ela. Ele “ama sua esposa como ama seu próprio corpo”, nutrindo um ambiente emocional seguro para ela se curar. Em vez de ser exigente, ele é paciente e disposto a lidar com as barreiras que fazem o sexo parecer mais um dever do que um convite à intimidade.
“Pois Ele faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que O amam e são chamados de acordo com Seus propósitos.” Todas as coisas significam TODAS as coisas, incluindo os pedaços quebrados de sua vida sexual.
Confie no poder
Ao ler a descrição de como marido e mulher podem ministrar um ao outro sexualmente, você pode estar pensando: isso é impossível. E em um nível, você estaria certo. Sua capacidade humana de amar seu cônjuge tem limites…. Limites que se referem a por quanto tempo você pode “negar-se a si mesmo”, perdoar ou ser atencioso com as necessidades de seu cônjuge.
Em uma passagem não relacionada, Jesus fez esta afirmação: “Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5:46-48).
Se aplicarmos essa verdade ao sexo dentro do casamento, ela pode soar assim: “Se você busca intimidade com seu cônjuge quando é fácil, que recompensa receberá? Todo mundo sabe fazer isso! Somente aqueles que seguem a Deus podem continuar a amar quando isso lhes custa muito. É assim que eu chamo você para amar sexualmente seu cônjuge”.
Um casamento cristão só é possível através do poder de Cristo vivendo em nós através da presença do Espírito Santo. O chamado de Deus para que “sejamos perfeitos” tem o objetivo de nos mostrar a total futilidade de tentar honrá-lo com a nossa própria força e sabedoria. Um casamento sobrenatural requer um poder sobrenatural.
Em última análise, não é o amor sexual de sua esposa que o afastará da luxúria ou satisfará seu desejo; é a obra do Espírito Santo. Não é a bondade de seu marido que vai curar suas feridas, mas o amor infalível de Jesus Cristo.
“Pois Ele faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que O amam e são chamados de acordo com Seus propósitos.” Todas as coisas significam todas as coisas, incluindo os pedaços quebrados de sua vida sexual. Minha amiga, Deus quer fazer uma obra poderosa em seu casamento. Não posso prometer que daqui a um ano você terá um ótimo sexo em seu casamento, mas posso prometer que, se ambos se comprometerem a construir uma verdadeira intimidade por meio do poder de Jesus Cristo, Ele redimirá sua vida sexual.
Em seu desespero, você e seu cônjuge se ajoelharão juntos e implorarão ao Senhor que derrame Seu Espírito? Você humildemente pedirá a Ele para curar, redimir e revelar Sua bondade no presente da sua intimidade sexual? E você estará disposta a dizer sim à jornada de reconstrução da intimidade autêntica em seu casamento?
Autora: Juli Slattery
Tradutora: Giulia Alcântara
Link para o texto original: https://www.authenticintimacy.com/resources/44957/how-to-go-from-demand-and-duty-sex-to-true-sexual-intimacy