
Querida amiga,
Fiquei muito feliz em saber que pretende começar o Mestrado! Paira no ar uma ideia – não bíblica – de que as mulheres devem investir menos em sua capacidade intelectual e mais nas habilidades manuais. Ninguém nos ensinou isso, mas, por alguma razão, essa ideia está presente em nosso meio. Lembra-se quando aquela irmã que afirmou que homens não gostam de mulheres que estudam demais? Esse tipo de pensamento é mais comum do que parece. Inconscientemente, acabamos almejando menos para nos adequarmos e não estarmos muito à frente.
Parece que a busca pelo conhecimento nem sempre é bem vista. É como se a inteligência e as virtudes bíblicas fossem antagônicas. Mas quer antagonismo maior do que negligenciar a capacidade com a qual Deus te dotou?
Não me surpreende que não tenha havido tanto entusiasmo de sua família, amigos e os irmãos da igreja. Eles estão apreensivos com o fato de você estar iniciando outro curso e não um namoro. Confesso que achei graça do comentário de sua tia sobre relógio biológico, mas, não leve isso tão a sério, a intenção deles não é magoar você, é apenas zelo.
E por mais que seu desejo também seja estar num relacionamento não há como saber quais os planos Divinos pra a sua vida, nem há como adiantar ou modifica-los. Por isso, não se sinta culpada por não corresponder às expectativas depositadas sobre você.
Respondendo à sua pergunta, eu não acho que fazer o Mestrado seja incoerente com a sua visão de que a prioridade da mulher deve ser o lar e a família. Isso se aplica quando somos casadas; não é o nosso caso. Se hoje o tempo e as circunstâncias te permitem dedicar-se plenamente aos estudos, aproveite! Não negligencie o dom que recebeu pra ficar à espera do amado.
Não se preocupe, investir firme em sua formação não te faz menos feminina, segundo os moldes bíblicos, nem menos espiritual, pois Deus deseja ser glorificado por meio do seu intelecto também.
Minha querida, não retenha o seu crescimento pessoal por medo de se tornar inacessível. “Seja boa, doce menina, e não se esqueça de ser o mais inteligente que puder”[1]
Por fim, quero dizer que compreendo seu medo de se envolver com a vida acadêmica e profissional e acabar se tornando uma mulher de 40 anos com um currículo excelente, um ótimo salário e solteira. Realmente, muitas mulheres acabam consumidas pelo trabalho e a vida acadêmica; ela pode se tornar um grande ídolo. Mas o Senhor não irá desampara-la se você o buscar durante esse processo. Volte seus olhos para Ele, busque a glória dEle, e não a sua. Ande em humildade e Ele te sustentará.
E se o Senhor quiser que você constitua família Ele usará seus próprios meios para que isso; seja daqui um, dois ou 10 anos. E não se preocupe, progredir academicamente não faz de você uma feminista. Fique tranquila.
[1] C.S. Lewis
CONTINUA…
Querida Prisca que saudade, segurei-me para não comentar, mas essa temática me toca profundamente rsrs (li o texto umas quatro vezes), muito bem escrito por sinal e com uma ótima ideia. Venho expor alguns pensamentos que me surgiram durante a leitura deste texto que tem uma temática que me envolve muito. Uma coisa que me intrigou foi a irmã que mencionou que ” homens não gostam de mulheres que estudam demais…” e foi discutido que é comum a busca de conhecimento nem sempre ser bem vista…Todavia, Isso não é uma realidade para mim e para os que estão em meu meio, em verdade os homens que conheço e o que sou casada valoriza mulheres inteligentes em detrimento das “super vaidosas e vazias”, talvez vai depender mesmo do lugar que estamos e de onde estamos, fiquei pensando qual lugar essa irmã que disse isso para sua amiga ocupa e ah, tenho visto também uma nova geração de mulheres
com currículos excelentes e casadas, assim como tenho visto homens parceiros que entendem que também podem ajudar nas tarefas domésticas assim como suas esposas ajudam financeiramente o que ajuda essas mulheres a se dedicarem ao trabalho e também a casa. É claro que são escolhas de casais, mas a busca no equilíbrio na relação demonstra cuidado, serviço, amor e valorização quando o outro faz. Afinal, ambos entendem como é difícil fazer, porque ambos fazem. Mas é claro que esse assunto pode ter outro ponto de vista, pois cada ponto de vista é visto de um ponto como nessa história que gosto tanto
“Há muitos anos vivia na Índia um rei sábio e muito culto. Já havia lido todos os livros de seu reino. Seus conhecimentos eram numerosos como os grãos de areia do Rio Ganges. Muitos súditos e ministros, para agradar o rei, também se aplicaram aos estudos e às leituras dos velhos livros. Mas viviam disputando entre si quem era o mais conhecedor, inteligente e sábio. Cada um se arvorava em ser o dono da verdade e menosprezava os demais. O rei se entristecia com essa rivalidade intelectual. Resolveu, então, dar-lhes uma lição. Chamou-os todos para que presenciassem uma cena no palácio. Bem no centro da grande sala do trono estavam alguns belos elefantes. O rei ordenou que os soldados deixassem entrar um grupo de cegos de nascença. Obedecendo às ordens reais, os soldados conduziram os cegos para os elefantes e, guiando-lhes as mãos, mostraram-lhes os animais. Um dos cegos agarrou a perna de um elefante; o outro segurou a cauda; outro tocou a barriga; outro, as costas; outro apalpou as orelhas; outro, a presa; outro, a tromba. O rei pediu que cada um examinasse bem, com as mãos, a parte que lhe cabia. Em seguida, mandou-os vir à sua presença e perguntou-lhes: – Com que se parece um elefante? Começou uma discussão acalorada entre os cegos. Aquele que agarrou a perna respondeu: – O elefante é como uma coluna roliça e pesada. – Errado! – interferiu o cego que segurou a cauda. – O elefante é tal qual uma vassoura de cabo maleável. – Absurdo! – gritou aquele que tocou a barriga. – É uma parede curva e tem a pele semelhante a um tambor. – Vocês não perceberam nada – desdenhou o cego que tocou as costas. – O elefante parece-se com uma mesa abaulada e muito alta. – Nada disso! – resmungou o que tinha apalpado as orelhas. – É como uma bandeira arredondada e muito grossa que não para de tremular. – Pois eu não concordo com nenhum de vocês – falou alto o cego que examinara a presa. – Ele é comprido, grosso e pontiagudo, forte e rígido como os chifres. – Lamento dizer que todos vocês estão errados – disse com prepotência o que tinha segurado a tromba. – O elefante é como a serpente, mas flutua no ar. O rei se divertiu com as respostas e, virando-se para seus súditos e ministros, disse-lhes: – Viram? Cada um deles disse a sua verdade. E nenhuma delas responde corretamente a minha pergunta. Mas se juntarmos todas as respostas poderemos conhecer a grande verdade. Assim são vocês: cada um tem a sua parcela de verdade. Se souberem ouvir e compreender o outro e se observarem o mundo de diferentes ângulos, chegarão ao conhecimento e à sabedoria.”
fonte: https://ensinarhistoriajoelza.com.br/um-conto-para-a-primeira-aula-de-historia/
Super beijo com carinho!
Line, linda, quanto tempo! Que alegria receber seu comentário. Obrigada! Fico feliz que o texto tenha trazido algumas reflexões. Realmente, eu acredito que muitas jovens hoje têm buscado estudar mais, se aperfeiçoar e se aprimorar. As cartas que tenho escrito são um apanhado de experiências, às vezes a “amiga” é alguém que aconselhei, uma experiência, uma reflexão ou uma constatação, mas nesse caso, escrevi um pouco de mim também. Há alguns anos, quando ainda morava em Marília e comecei a estudar Teologia e ler mais, buscar mais conhecimento, uma líder da igreja me disse que aquilo tudo era bobagem, pois “homens não gostam de mulheres que estudam demais”. Essa frase ficou ecoando em minha mente e com o tempo percebi que muitas jovens as vezes carregam esse estigma, lá no fundo, aquele medo de se desenvolver demais e acabar ficando sozinha, porque dizem que homens têm medo de mulheres inteligentes e etc. Acredito que há um tempo para cada coisa e ser solteira nos abre um mundo de possibilidades que devem ser bem aproveitadas. Após o casamento, as prioridades e possibilidades também mudam, pois cada escolha é também uma limitação (seja no orçamento, no tempo, no espaço), faz parte. isso não significa que uma mulher casada não deva estudar, se aperfeiçoar, significa apenas que seu tempo e recursos estarão de uma forma ou de outra limitados porque não se trata mais só de si mesma. Aí entra o que você disse, o consenso entre o casal, as prioridades do casal e os recursos $ do casal. Se há disposição de ambas as partes, é muito válido, um deve investir na vida do outro. Meu incentivo é que aproveitemos ao máximo cada etapa. Eu gostaria de concluir o Mestrado antes de me casar (graças a Deus, recebi alguém que super me incentiva a crescer também nesse sentido <3), mas, se não for possível, não vou desistir de estudar por isso; e gostaria de fazer um doutorado antes de ter filhos, mas se eles vierem antes, minha prioridade será cuidar deles e lá na frente, quando já estiverem mais independentes me dedicar a isso, ou talvez meus planos mudem, mas a questão é que vejo muitas meninas deixando de viver a vida hoje por causa do sonho de casar, quando deveriam estar investindo nas potencialidades que Deus concedeu a elas, vivendo uma estação por vez. Gosto da ilustração do elefante, acho que ela pode ser vista de dois pontos de vista, um positivo e um negativo, o positivo é que enquanto homens, somos limitados e não temos a visão do todo, mas, se cada um contribuir com o pouco que tem, juntos conseguimos obter uma visão mais ampla da realidade. Essa é uma questão. Por outro lado, essa é uma parábola muito utilizada pelos relativistas pra dizer que não existem verdades absolutas, tudo é uma questão de ponto de vista, ninguém está errado, mas também ninguém está certo. mas, como cristãos, sabemos que existe uma verdade absoluta, não importa se eu acho que o elefante se parece com uma cobra e o outro com algo pontiagudo, o elefante não é nenhuma dessas coisas, ele é concreto, independente das opiniões a seu respeito. Existe uma verdade: trata-se de um elefante. Assim é conosco, os homens estão tateando em busca da verdade, eles estão cegos, e por isso, cada um parece ter a sua verdade, mas, a realidade é que só existe UMA verdade, a verdade de Deus, uma verdade absoluta a despeito das interpretações dos homens. O elefante é um elefante, se não for assim, abraçamos a ideia relativista de que não existe uma religião certa, o importante é a experiência que cada um tem acerca de Deus, cada um pode ter a sua verdade. Sabemos que não é esse o caminho. Tem um livro da editora Monergismo chamado Cuidado com o Elefante, é um livro de cosmovisão (a visão do todo) cristã, eu não o li, mas ele vai trazer essa temática de uma forma bem interessante, se tiver interesse em ler, acho que é uma leitura muito valiosa, Line. Enfim, foi apensas uma ilustração, mas como não sabia exatamente o sentido que você queria trazer pra ela, aproveitei esse gancho. Obrigada pelo comentário, mesmo de longe, acompanho um pouco do seu trabalho e dedicação e admiro a mulher incrível que você é. Que Deus te capacite e que você desenvolva a sua vocação em todos os sentidos para glória dEle. Que Deus te abençoe.